Ok, conforme prometido, vai aqui a parte final do texto sobre Concept Art em Los Angeles. De novo, vamos em tópicos para as coisas ficarem mais organizadas:

Expectativa versus realidade

Quando a gente ingressa em um curso de arte geralmente nossa expectativa é evoluir 3 anos em 3 meses. Mas claro, as coisas não funcionam assim. É preciso educar as mãos pra obedecer o cérebro, e isso leva tempo.

No caso da CDA, eu terminei o curso muito melhor do que comecei, mas ainda tem chão pra chegar onde quero. Ficaria certamente mais alguns termos, se a grana tivesse sobrando. De qualquer forma, como já disse no post anterior, foi passado conteúdo de muita qualidade, que agora eu e todos os demais alunos precisamos começar a aplicar. É a hora da ralação! : )

Como nas aulas e workshops nos deparávamos com artistas fodaços, cujos trabalhos costumávamos ver em games e filmes, era comum ver alunos um tanto desanimados com todo o conteúdo a aprender e a começar a treinar.

Para evitar esse tipo de frustrações é importante perceber em que estágio da “escada” de aprendizado estamos. Essa escada podemos tentar visualizar mais ou menos assim: os primeiros degraus são mais baixos e é mais rápida a evolução, pois as informações são mais fáceis de assimiliar e de aplicar. Conforme vamos avançando, os degraus ficam mais altos (informações mais complexas) e mais espaçados entre si (muito mais tempo para aplicar os ensinamentos). Os últimos estágios são, obviamente, aqueles que poucas pessoas atingem, pois para isso é preciso, às vezes, uma vida inteira de dedicação, e muitos decidem parar bem antes disso, pois se dão por satisfeitos com o que já sabem.

Lembrando novamente a entrevista de Feng Zhu, isso é resultado do tempo que um aluno pára de desenhar (e de criar sua biblioteca visual) e se dedica à outras coisas. A única maneira de tirar o tempo perdido é… (adivinhem) DESENHANDO!  Lá eu conheci alunos que com seus vinte e poucos anos já possuem um nível absurdo, e mesmo assim, esses eram os que mais se dedicavam!!! Taí a explicação.

Em resumo: aprendi muita coisa. Cconsiderndo os 3 meses, aprendi muito e realmente recomendo os cursos, mas se eu não me mantiver focado como fazia lá, essa evolução agora pode ser bem mais lenta. Esse é o principal desafio na volta.

Cursos no Brasil versus cursos no exterior

Sei que muita gente pode pensar que falando somente de cursos lá fora parece que estou desprestigiando os cursos no Brasil, mas não é o caso. Eu iria passar um tempo fora de qualquer jeito. Tinha acabado de sair de uma empresa que trabalhei por quase 5 anos em que raramente conseguia fazer um rabisco. Isso pra mim foi bastante complicado. Culpa da empresa?  Não, culpa minha que optei pela grana ao invés da vocação.

Tem lado bom? Claro!  O THECAB surgiu um mês antes de eu sair da empresa. : )

Sim, poderia fazer cursos no Brasil. Temos sim bons cursos na área. Temos bons artistas, bons professores, alunos dedicados, escolas que se importam em realmente ensinar. Sim, temos. Mas tenho certeza de que se estudasse aqui os fatores externos (família, amigos, cachorro, carro, contas, aluguel, namorada, ônibus, trânsito, ansiedade em arrumar outro emprego) me tomariam  um precioso tempo que, acredito, consegui usar muito bem em meu benefício estando lá sozinho.

Outro ponto importante é que se considerarmos apenas os cursos, são MUITO mais baratos. Claro que tem SEMPRE passagem aérea, hospedagem, alimentação, etc… etc…, mas nisso tudo, incluíndo os 3 cursos que fiz, gastei pouco mais de 10 mil reais. De novo, é opção. Poderia ter trocado meu carro por um mais novo, mas OPTEI pela experiência internacional, pelos contatos e amizades que faria lá fora, pela prática do idioma e pela dedicação exclusiva aos estudos, pelo menos nesse período, e acho que fiz o certo.

A volta

Mas e o mercado de trabalho no Brasil? Bom, aí é que o bicho pega. Mercado existe, mas é modesto. Aqui no blog já divulgamos váios artistas brasileiros que trabalham no país, mas ainda não é algo tão expressivo. Como sabemos, grande parte do mercado aqui é de jogos corporativos ou jogos para iphone, iPad e etc., e boa parte deles tem seus gráficos criados e animados em Flash.

Mas existe opção. Conheci vários artistas lá em Los Angeles, mesmo os que trabalham pra indústria cinematográfica, que frequentemente ganham grana ilustrando Cards. Por quê não aqui? Já pensaram, por exemplo, no mercado de jogos de tabuleiro, por exemplo?

Não, não estou maluco. Pense bem como esses jogos têm espaço para ótimas artes, ótimos roteiros, designs criativos e até mesmo um mercado a ser explorado. Claro que provavelmente suas criaturas não serão criadas em 3D ou animadas (provavelmente), ou você não controlará seus “Mechs” com o controle de seu console, mas cara, se não existe um mercado, a gente cria um. Vai saber.

As novas tecnologias estão aí. Pense bem. Já existe Monopoly usando cartão eletrônico e tudo. Quem garante que não teremos futuramente projeções holográficas em tabuleiros, interação de cards e internet?

Seja para games de consoles (Xbox, PS, Wii, etc), jogos de tabuleiros, cards, ou mesmo livros ou revistas, não importa. Somos artistas e queremos mesmo é ganhar a vida FAZENDO ARTE. Acredito que com o tempo as coisas irão evoluir por aqui.

Mas se não rolar nada, qual o problema de desenvolver, mesmo que por aqui, trabalhos para estúdios no exterior? Um curso focado em Concept Art pode ajudar muito nesse aspecto. Vale pensar a respeito e considerar isso também na hora da decisão.

Mas afinal, o que ajudará alguém a se inserir no mercado é a qualidade dos trabalhos, e isso, consequentemente, ajudará a dar impulso para esse mercado.

E pra isso acontecer, o conselho é sempre o mesmo: SEJA EXIGENTE COM SEU TRABALHO e… KEEP DRAWING!!

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