A minha expectativa quanto à parte destinada ao desenvolvimento dos personagens no livro “The Art of Bee Movie” era alta. Afinal, foi escrito por Jerry Beck, que além de já ter trabalhado na Nickelodeon e na Disney, também é um dos responsáveis pelo ótimo blog “Cartoon Brew“. Certamente boa coisa viria dalí.  E olha que ainda tinha trabalhos de Nicolas Marlet, que por si só já seria motivo para uma atenção especial.

Para começo de conversa, o time de artistas (apenas alguns deles): Christophe Lautrette (art director), Nicolas Marlet, Tony Siruno e Devin Crane (character designers), Michael Yamada, Tianyi Han, Ruben Hickman, Paul Duncan, Kirsten Kawamura (visual developers). Claro que muitos outros artistas estavam no projeto. Como disse, destaquei aleatoriamente apenas alguns.

Com uma equipe desse gabarito poderíamos imaginar que na produção tudo correria de maneira fácil, rápida e que todos estariam 100% satisfeitos já com as primeiras versões, certo? Não foi bem o caso, e acho que nunca é, por melhores que sejam os envolvidos.

A grande pedra nos sapatos da equipe de arte foi definir um estilo para as abelhas, mais especificamente para Barry e Adam, os personagens principais. Mesmo após 10 meses de muita pesquisa, estudo e milhares de sketches feitos pela nata de artistas da Dreamworks (sim, milhares!!), nenhum dos caminhos foi considerado adequado.

Segundo Chistophe Lautrette, Barry foi o personagem com maior tempo de exploração que tiveram.

Veja abaixo alguns caminhos propostos pelos artistas:

(Christophe Lautrette)

(Carlos Grangel)

Nas propostas de Grangel o uso de roupas que imitam humanos é bem característico.

(Nicolas Marlet)

 

(Tony Siruno)

“Nico Marlet sozinho fez milhares de designs de Berry. Nós temos centenas e centenas criados somente para ele, pois já estávamos 10 meses tentando chegar em algo que fosse adequado para esse personagem” – Tony Siruno (character designer)

Em alguns momentos, havia em torno de 11 designers no projeto. Havia muito esforço, buscando e tentando de tudo. Todos estavam trabalhando no sentido de definir um estilo. Tony Siruno (character designer)

- – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - – - -

Como as opções todas ainda não eram as ideais, produtores, diretores de arte e designers acabaram definindo algumas premissas que poderiam servir como direcionamento na criação de novas propostas.

Segundo o diretor Simon J. Smith, eles identificaram que assim que você coloca um corpo com ombros e um pescoço fino, eles parecem humanos. Então eles decidiram: Sem pescoço! Apenas duas formas básicas, corpo largo e cabeça arredondada, sem pelos no rosto e nem nas antenas. O traseiro das abelhas deveriam ficar sempre exposto e nenhuma delas usaria calças ou saias. Isso poderia parecer obsceno, mas funcionou, diz Simon.

 

Christophe Lautrette percebeu que haviam chegado ao personagem ao ver os desenhos abaixo, criados por Tony Siruno. Escolheram alguns que gostaram e esses foram direto para a modelagem.

Esse foi o design final escolhido pela equipe:

Na sequência, estudos de expressão criados por Nico Marlet a partir do modelo aprovado.

O estúdio responsável pelas esculturas desse filme foi o Damon Bard Studio. Notem, porém, que há diversas opções também nessa fase, o que mostra que iam sendo criadas esculturas durante o processo de definição do estilo.

Ah, mais um detalhe: outra preocupação da equipe foi evitar que as abelhas parecessem muito com insetos, o que poderia causar uma reação negativa nas pessoas. Nessas primeiras esculturas podemos ver como a versão final é muito mais carismática que as anteriores.

Duas formas principais, cabeça redonda, sem pescoço, traseiros à mostra e sem pelos.  It’s done!  ; )

Artistas: Christophe Lautrette | Nicolas Marlet | Tony Siruno | Carlos Grangel | Damon Bard

 

OUTROS POSTS QUE PODEM SER DE SEU INTERESSE: