Anatomia. Talvez essa seja uma das grandes pedras no sapato dos artistas. É um daqueles fundamentos que passamos anos e anos tentando melhorar, mas que muitas vezes temos a impressão de que quanto mais nos dedicamos, mais duros parecem nossos traços.

Talvez a resposta para isso seja justamente essa pressão que acabamos nos impondo, fazendo com que foquemos nossa atenção mais na exatidão anatômica do que no gesto, na pose e no movimento, fatores esses que realmente dão vida a um desenho.

A frase do título, tirada do livro “Dando Vida a Desenhos“, de Walt Stanchfield, explica bem esse ponto.  Desenhar verbos, não substantivos é pensar primeiro na ação e depois na pose em si. É transmitir primeiro a emoção e depois a razão. É transmitir a essência da pose e depois a sua representação anatômica. É definir primeiro a essência de um gesto e só depois pensar nas partes do corpo que contribuirão para sua realização.

Walt Stanchfield durante a década de 1980 lecionou desenho gestual para a equipe de artistas da Disney Animation. Entre seus alunos estavam, por exemplo, John Lasseter, Glen Keane e Brad Bird, entre muitos outros.

Ao representarmos uma pose estática, sem vida, sem emoção, mesmo que contenha “um bom braço”, uma perna corretamente representada ou uma musculatura anatomicamente perfeita, estamos criando um mero desenho. Poderemos até dizer: Olha que bom braço!

No entanto, um desenho que realmente conta uma história, que demonstra a intenção do personagem no gesto e que transmite a emoção da cena através desse gesto é UM BOM DESENHO. Nesse caso diremos: Uau! seu desenho me transmite algo!

Separei abaixo alguns exemplos que considero bem adequados ao tema:

Bobby Pontillas (Blue Sky Studios)

Joseph Mingoo Lee (Blue Sky Studios)

James “theironscythe” (Pixar)

 

Dave Pimentel (Dreamworks)

 

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